O pau tá comendo
Calma, meninas moças sedentas, não é nada disso que vocês estão querendo. O tempo esquentou aqui na loja, mais especificamente na laje. Tudo por conta de um entrevo entre os rapazes. Fernando ficou visivelmente irritado quando insinuaram que ele não era boa companhia e burlava as regras da macharia para ter privilégios na hora de traçar o pintado que o Rildão pesca na barraca de Bertioga. Pela cara do cara dá pra ter uma idéia do que ele seria capaz de fazer com a faca se o Nivaldinho não a estivesse usando para cortar bardaninhas cristalizadas para levar para São José. 
- Se você disse que eu desafino, amor....
Como diriam na minha terra, o cara tava com cara de quem vai beliscar azulejo. Depois que a turma do deixa-disso colocou água na fervura e Fernando. parou de paiaçada, a paz voltou a reinar na laje, especialmente porque a Gorda deu um vacilo forte e não percebeu que entraram algumas moças mais dadas no nosso festejamento. Explico: Castelo que havia lançado livro recentemente pegou um adiantamente de direitos autorais e pediu sugestões de como torrar a bufunfa. Ao que JR obtemperou: - Conheço umas meninas... Não precisou completar a frase, lá do fundo ouviu um vozerio: - Manda trazer! E assim caminhou nossa humanidade até altas horas, ao som dos boleros de Anísio Silva, Chico Alves e Vicente Celestino com seus tangos e tragédias. 
Porém, depois que a festa pegou no breu e as meninas sem pudor passaram a exibir seus (delas) dotes, a Gorda maledeta apareceu para botar desordem na casa da mãe Joana e mandou as coitadinhas embora. Foram várias viagens na motoca do Nivaldinho. A Gorda nojenta não ficou regulando combustível - como sempre faz. Pra isso é mão aberta. Sorte minha é que a menina que trabalha no caixa não pode ficar (não podia faltar na faculdade de comércio exterior) e consegui escondar uma beloça no vestiário para depois que os cuecas se evadissem. Aí invadi sem culpa. 
- Ai meu Deus que saudade da Amélia...
A gente ficou no lesco-lesco até o dia clarear, quando então tive que deixá-la na Avenida Casa Verde sem lenço e sem documento. Prometeu voltar, por amor a arte e um punhadinho de bardaninha cristalizada. Pareceu sincera e nada interesseira. É ver pra crer.
Escrito por Maridão às 02h25
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